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Uma cianobactéria chamada Spirulina: um superalimento.

23/01/2018 15:41:55

Assim começa uma reportagem do jornal britânico The Guardian sobre essas cianobactérias, chamadas de spirulina2. Pelo teor da chamada do jornal, podemos perceber que essa bactéria merece atenção. Realmente, por ser de fácil cultivo, torna-se uma ótima opção para os países em desenvolvimento, que possuem fontes naturais de spirulina em seus lagos.


Segundo o artigo, a spirulina é uma das mais antigas formas de vida na Terra, o que gera uma aura mística em torno desse ser vivo. A spirulina é um organismo unicelular que utiliza calor, luz, água e minerais para sintetizar proteínas, carboidratos, vitaminas e outros nutrientes vitais para o homem. Essa bactéria comestível é um dos alimentos mais concentrados que existem em nosso planeta, sendo uma fonte excelente de todos 8 aminoácidos essenciais, betacarotenos, minerais (dentre eles o ferro), ácido gama-linolênico entre outros. Além disso, ainda tem baixo teor de gordura e sódio, é resistente à contaminação por metais pesados, como o chumbo, desde que cultivada adequadamente, e é de fácil digestão.


De fato, o mais correto seria nos referirmos a spirulina como “spirulinas” e mencionar que elas são cianobactérias (também conhecidas como algas azuis e por isso as vezes chamadas de algas) que habitam águas alcalinas em zonas tropicais e subtropicais. Sob o microscópio, elas se parecem com filamentos azuis-esverdeados, devido a presença de clorofila e ficocianina nas células. Existem 35 espécies de spirulina, as quais proliferam em muitos lagos alcalinos ao redor do mundo, entretanto, como as formas espirais dessas bactérias parecem se modificar espontaneamente dependendo do pH e das condições nutricionais que encontram em seu meio ambiente, é perfeitamente possível que as diferentes formas encontradas sejam apenas variações morfológicas de uma única espécie3.


ALGUMAS CURIOSIDADES


Existem evidências de que quando os espanhóis conquistaram o México, no início do século 16, os Astecas já colhiam uma biomassa composta por spirulinas do Lago Texcoco e faziam formas parecidas com tijolos, que eram consumidas da mesma maneira que o queijo é nos dias atuais4


Da mesma maneira, a tribo Kanembu, nas praias do Lago Chad, na África Central, utiliza a spirulina seca já há algum tempo, como alimento. A spirulina é colhida e seca ao sol na forma de bolos que são utilizados no preparo de pratos locais4,5.


Os benefícios da spirulina são tantos e tão benéficos que a NASA realizou pesquisas para incorporá-la a dieta de seus astronautas6 e a utilizou com sucesso7, já a Agência Espacial Européia verifica a possibilidade de poder cultivá-la e usá-la como alimento em uma futura colonização de Marte8.


PROPRIEDADES NUTRICIONAIS


A spirulina contém um alto teor de proteínas, até 70% de proteína por porção e muitas vitaminas, como a B12, provitamina A (?-carotenos), minerais como o ferro além de ácidos fenólicos (antioxidantes)9, ?-linolênicos e tocoferóis. Como a spirulina não possui parede celular, ela é facilmente digerida pelo homem3.


PROPRIEDADES MEDICINAIS


Pesquisas já mostraram resultados interessantes sobre as propriedades medicinais da spirulina. Por exemplo, seu uso é reconhecido na prevenção e no tratamento do câncer oral10 e da fibrose hepática2. Além disso, os nutrientes presentes na spirulina reforçam o sistema imune e aumentam a capacidade do organismo de gerar novas células sanguíneas para prevenir doenças, incluindo o câncer11. A spirulina não apresenta efeitos colaterais e é de natureza não tóxica10 e foi descrita como apresentando ação antioxidante, antifúngica, antiviral, antibacteriana, antitumoral, além de proteger contra respostas alérgicas (asma, rinite), ser um neuroprotetor e também um inibidor de reações anafiláticas12.


É inevitável pensar que, mais uma vez, a natureza se mostra mais sábia que toda a tecnologia e progresso gerado pela civilização quando é capaz de produzir naturalmente uma fonte alimentar tão rica em nutrientes e com tantas propriedades medicinais como a spirulina.

 

Referências:

1. Spirulina: a luxury health food and a panacea for malnutrition. The Guardian Available at: https://www.theguardian.com/sustainable-business/2014/sep/12/spirulina-health-food-panacea-malnutrition. (Acessado: 1o novembro 2017)

2. Wu, L., Ho, J. A., Shieh, M.-C. & Lu, I.-W. Antioxidant and Antiproliferative Activities of Spirulina and Chlorella Water Extracts. J. Agric. Food Chem. 53, 4207–4212 (2005).

3. Dillon, J. C., Phuc, A. P. & Dubacq, J. P. Nutritional value of the alga Spirulina. World Rev. Nutr. Diet. 77, 32–46 (1995).

4. FARRAR DR., W. V. Tecuitlatl; A Glimpse of Aztec Food Technology. Nature 211, 341 (1966).

5. Abdulqader, G., Barsanti, L. & Tredici, M. R. Harvest of Arthrospira platensis from Lake Kossorom (Chad) and its household usage among the Kanembu. J. Appl. Phycol. 12, 493–498 (2000).

6. Tadros, M. G., inci pa I nvestigator, P. I. & Monitor Robert MacElroy, P.-D.-T. D. Characterization of Spirulina Biomass Y for CELSS Diet Potential Title: Characterization of Spirulino Biomass for CELSS Diet Potential. (1389).

7. Karkos, P. D., Leong, S. C., Karkos, C. D., Sivaji, N. & Assimakopoulos, D. A. Spirulina in clinical practice: evidence-based human applications. Evid. Based. Complement. Alternat. Med. 2011, 531053 (2011).

8. Ready for dinner on Mars? / Exploration / Human Spaceflight / Our Activities / ESA. Available at: http://www.esa.int/Our_Activities/Human_Spaceflight/Exploration/Ready_for_dinner_on_Mars. (Acessado: 7o novembro 2017)

9. SOARES, S. E. Ácidos fenólicos como antioxidantes. Rev. Nutr. 15, 71–81 (2002).

10. Danaraddi, S., Hunasgi, S., Koneru, A., Ramalu, S. & Vanishree, M. Natural ways to prevent and treat oral cancer. J. Oral Res. Rev. 6, 34 (2014).

11. Mathew, B. et al. Evaluation of Chemoprevention of Oral Cancer With Spirulina fusiformis. Nutr. Cancer 24, 197–202 (1995).

12. Nuhu, A. A. Spirulina (Arthrospira)?: An Important Source of Nutritional and Medicinal Compounds. J. Mar. Biol. 2013, 1–8 (2013).


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