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Distanciamento social e o medo de perder as pessoas que amamos

22/06/2020 10:03:42

O mundo inteiro está sofrendo mudanças por conta da pandemia do coronavírus. Muito se fala nos impactos causados na economia e na forma como os cuidados com a saúde irão mudar ao longo dos próximos anos. Porém, é importante ter atenção ao lado humano, já que a forma como interagimos com as pessoas e nosso modo de viver em sociedade estão passando por tantas transformações quanto outras áreas.

O distanciamento social tem se mostrado, de fato, a melhor alternativa para que as pessoas se protejam do contágio e da transmissão da COVID-19. Porém, manter-se longe de quem amamos por longos períodos de tempo causa outras reações nocivas ao nosso estado de saúde, principalmente no que diz respeito ao lado psicológico. Afinal de contas, viver uma pandemia faz com que pensamentos sobre a perda de entes queridos sejam comuns.

Essa noção está relacionada a diversos aspectos, que têm no centro um sentimento: o amor. Ao longo das últimas décadas, a ciência do amor está evoluindo bastante e agora podemos entender melhor como ele funciona. É possível listar algumas descobertas importantes sobre o sentimento:

- Aquela necessidade que temos de ligar para uma pessoa especial e saber que ela responderá com segurança e conforto, nunca irá desaparecer. Saber que somos amados é como ter um refúgio que todos anseiam. Esse desejo está ligado ao cérebro desde o berço e seguirá conosco até o final da vida.

- As pessoas mais fortes são aquelas que têm a coragem de se arriscar e se aproximar de outras pessoas. São pessoas que sabem enviar sinais emocionais claros, que criam conexões fortes entre as pessoas. Por exemplo, sobreviventes do 11 de setembro que se sentiram confortáveis em voltar para os entes queridos apresentaram melhor recuperação do que aqueles que preferiram se distanciar.

- Quando existe uma conexão de proximidade especial com alguém, seja através de um abraço ou com um relacionamento amoroso, o corpo é inundado por vários neuro-sinalizadores, como a ocitocina, reconhecida como o “hormônio do carinho”. Ela é responsável pela sensação de alegria e calma, além de reduzir os hormônios que aumentam o estresse.

- Ao contrário do que muitos imaginam, conflitos sobre crianças, sexo ou dinheiro não são os verdadeiros responsáveis pelo rompimento nos relacionamentos. O que realmente importa é a conexão emocional. É saber que a outra pessoa “está ali” para você, que ela está disposta a colocar você em primeiro lugar. Casais que entendem esta questão conseguem encontrar uma reconexão, mesmo em momentos difíceis.

Estes conhecimentos podem ajudar a entender melhor os relacionamentos afetivos, contribuindo para a construção de vínculos mais próximos, com mais força e confiança. Mas, na situação atual, como lidar com os sentimentos, a ausência de conexões emocionais e o medo de perder as pessoas que amamos?

Segundo alguns psicólogos, é importante concentrar-se naquilo que está sob seu controle. O medo pode vir dessa percepção de não poder dominar o vírus. Assim, o foco deve ser sobre pequenas atitudes que estão ao seu alcance, como o fato de não poder salvar o outro, mas cuidar dele dentro das possibilidades: orientar, conversar e mostrar a importância dele em sua vida.

Outros pontos também são importantes nesse enfrentamento, como:

- Identificar pensamentos que possam lhe causar mal-estar.

- Reconhecer suas emoções e aceitá-las, buscando ajuda quando necessário.

- Buscar informações de fontes confiáveis, evitando notícias alarmistas.

- Informar seus entes queridos de forma realista, com explicações verdadeiras sobre a situação atual.

- Desconectar-se de vez em quando, evitando o aumento da sensação de risco e ansiedade.

Por fim, apoie-se na família e nos amigos, e ajude-os a manter a calma, reforçando que a adaptação à nova realidade é importante, que a vida segue normalmente e que não há motivo para alimentar o medo.


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