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Como a obesidade pode agravar os sintomas causados pelo coronavírus?

22/05/2020 14:49:36

O novo coronavírus tem mudado diversos aspectos de nossas rotinas, seja em uma maior atenção à higiene pessoal e cuidados com a limpeza de casa ou na forma como interagimos em sociedade. Porém, diversos estudos mostram que não são apenas estes comportamentos que devem ser adotados para manter os riscos da COVID-19 longe de nós. É necessário também ter mais atenção à saúde, melhorando hábitos e incrementando a qualidade de vida. 

De acordo com estudos realizados nos Estados Unidos – um dos países mais afetados pelo coronavírus nos últimos meses – a obesidade pode ser um dos preditores mais importantes da doença grave causada pelo coronavírus. A descoberta é alarmante para o país, que possui uma das maiores taxas de obesidade do mundo, mas também serve de alerta para o Brasil, que em 2019 alcançou o maior índice de obesos dos últimos 13 anos. 

Embora pessoas com obesidade usualmente apresentem outros problemas médicos, os estudos apontam que a condição é um fator de risco significativo, especialmente em idades mais avançadas. Esse aspecto é corroborado por diversos relatos de médicos norte-americanos que se dizem impressionados pelo número de jovens obesos que apresentaram quadros graves da COVID-19, mesmo sendo pessoas sem outros fatores de risco.

Um dos maiores estudos realizados pelos Estados Unidos para identificar a obesidade como um importante fator de risco analisou dados de mais de 4 mil pacientes com coronavírus que procuraram atendimento no hospital NYU Langone Healthe, entre os dias 1º de março e 2 de abril. De acordo com os dados coletados, a obesidade apresentou-se mais determinante para a hospitalização de pacientes do que outros problemas, como a pressão alta e o diabetes – que são enfermidades usualmente identificadas em pessoas obesas. Estes aspectos também se sobressaíram, no que diz respeito à necessidade internação, a enfermidades como doença coronariana, câncer ou doença renal. 

Outro fato observado no mesmo estudo é que pacientes com menos de 60 anos, mas com obesidade, apresentaram duas vezes mais chances de serem hospitalizados, exigindo cuidados intensivos. 

Não foram apenas estudos norte-americanos que fizeram a ligação entre obesidade e o coronavírus. Relatórios chineses já apontavam fatores de risco como a diabetes tipo 2 e hipertensão (ambos comuns em pessoas obesas). 

Porém, foi publicado em abril um relatório preliminar realizado por cientistas de Shenzhen, na China, mostrando que pacientes com COVID-19 que apresentam alto índice de massa corporal (IMC) mostraram-se duas vezes mais propensos a quadros de pneumonia grave em relação a pessoas com um IMC (Índice de Massa Corporal) menor. 

A França, outro país bastante afetado pela doença, também apresentou levantamentos relacionado obesidade e internações. Um estudo realizado em Lille apontou que metade dos 124 pacientes com COVID-19 na cidade eram obesos. O mesmo estudo mostrou ainda uma maior necessidade de ventilação mecânica para pessoas com aumento de peso corporal. 

Esta relação entre obesidade e doenças crônicas já é bastante conhecida, pois a experiência adquirida durante a gripe H1N1, de 2009, revelou que pessoas obesas também são mais vulneráveis a doenças infecciosas. Na mesma época, estudos mostraram que pacientes nesse tipo de situação também apresentaram menor proteção através da vacinação contra influenza e outros vírus. 

Portanto, é importante ressaltar que, além dos novos hábitos de interação social e de higienização corporal e de produtos, o mundo pós-pandemia de coronavírus também deverá ser pautado por uma atenção ainda maior à obesidade. Ou seja, a forma como nos relacionamos com a alimentação e com as nossas rotinas de atividades físicas deverão se tornar prioridade. 

Fontes: 

https://www.nytimes.com/2020/04/16/health/coronavirus-obesity-higher-risk.html 

https://www.cidrap.umn.edu/news-perspective/2020/04/covid-19-studies-obesity-boosts-risk-diagnosing-health-workers

https://saude.gov.br/noticias/agencia-saude/45612-brasileiros-atingem-maior-indice-de-obesidade-nos-ultimos-treze-anos 



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