Blog

Exposição tóxica pela alimentação

23/09/2019 10:51:19

Nos alimentos consumidos, a exposição tóxica vai desde a contaminação do solo, cultivo, processamento, tipo de embalagem até métodos e utensílios utilizados no cozimento.


A contaminação por toxinas através da alimentação atinge a humanidade em larga escala, causando danos ao funcionamento do organismo de várias maneiras. Essas substâncias químicas ou moléculas estranhas ao sistema biológico, denominadas de xenobióticos, compreendem agentes ambientais, carcinógenos, inseticidas, metais tóxicos, entre outros.

Mesmo em pequenas quantidades, a exposição combinada de diferentes xenobióticos possui ação sinérgica, gerando sobrecarga orgânica e produzindo efeitos danosos imprevisíveis, principalmente a médio e longo prazo. Recebemos essas toxinas por inúmeras vias de exposição, mas uma grande quantidade delas vem através do nutriente mais essencial ao ser humano: a água.

Mesmo que seja considerada pela legislação como “potável”, a água acaba por conter uma carga de poluentes, tais como metais (alumínio, chumbo, mercúrio e arsênico), elementos químicos adicionados pelo homem (cloro e flúor) ou por contaminação (pesticidas e outros agrotóxicos), dioxinas e uma infinidade de poluentes orgânicos decorrentes da atividade industrial, e até de hormônios provenientes da urina de homens que usam reposição hormonal e de mulheres que fazem uso de anticoncepcionais.

De acordo com o Ministério da Saúde, o tratamento da água consiste em melhorar suas características organolépticas, físicas, químicas e bacteriológicas, a fim de que se torne adequada ao consumo, o que não inclui a remoção dos poluentes.

Recentemente, o Ministério da Saúde revelou que a água do brasileiro está altamente contaminada. Um coquetel que mistura diferentes agrotóxicos foi encontrado na água de 1 em cada 4 cidades do Brasil entre 2014 e 2017. “Nesse período, as empresas de abastecimento de 1.396 municípios detectaram todos os 27 pesticidas que são obrigados por lei a testar. Desses, 16 são classificados pela Anvisa como extremamente ou altamente tóxicos e 11 estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas como câncer, má formação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas” (Revista Exame – Abril 2018).

O perigo maior está na mistura entre os diversos químicos, segundo especialistas, a combinação de várias substâncias pode multiplicar ou até mesmo gerar novos efeitos sobre a saúde humana.

Nos alimentos consumidos, a exposição tóxica vai desde a contaminação do solo, cultivo, processamento, tipo de embalagem até métodos e utensílios utilizados no cozimento.

Diante deste panorama assustador, podemos adquirir algumas práticas para minimizar a exposição tóxica pela alimentação:

  • Usar aparelhos especiais de purificação de água, como osmose reversa ou destilação. Os filtros comuns não retiram a maior parte das toxinas;
  • Priorizar o consumo de alimentos orgânicos;
  • Evitar consumo de alimentos industrializados, principalmente contendo aditivos e corantes artificiais;
  • Não esquentar ou acondicionar as preparações quentes em embalagens plásticas;
  • Evitar consumo de frituras e de superaquecer ou “torrar” alimentos, pois liberam acrilamida, substância tóxica cancerígena;
  • Usar utensílios e panelas de inox, bambu, vidro, cerâmica, esmaltados ou barro. Cuidado com os esmaltados e cerâmicas antigos, fabricados antes de 1985, pois liberam chumbo e cádmio. Utensílios de inox, quando novos, requerem fervura por três vezes, pois liberam níquel nos primeiros usos.


Luciana Machado
Nutricionista Funcional Integrativa


Faça seu comentário:

País:

Atuação profissional: