Blog

Intolerância à lactose: mitos e fatos.

15/01/2019 11:19:35

Quem nunca ouviu dizer que não se deve tomar leite depois de uma certa idade? O argumento de que o ser humano é o único animal que continua consumindo o alimento depois da adolescência tem fundamento biológico. Todos os mamíferos, inclusive nós, diminuem gradualmente a quantidade de lactase produzida durante a vida - essa enzima é capaz de quebrar a lactose e digeri-la. Sendo assim, naturalmente, os animais param de ingerir leite ao longo da vida.

 

A dieta ocidental, entretanto, é baseada em diferentes produtos provenientes do leite e seus derivados. Por isso, é difícil para nós pensarmos em tirar o alimento da rotina. O que acontece é que quando ingerimos a lactose em uma idade na qual já não temos a quantidade de lactase necessária para fazermos a digestão, o leite é fermentado no intestino para poder separar os nutrientes do que deve ser eliminado. Essa fermentação causa gases, estufamento, irritação no intestino, diarreia, entre outros incômodos.

 

Essa é a explicação para a intolerância à lactose. Mas hoje a doença se tornou tão comum que é frequentemente diagnosticada de modo equivocado ou sem grandes explicações. Tanto que quem é tido como intolerante acredita que não pode ingerir nada com leite, o que não é verdade. Para esclarecer o assunto, conheça melhor o que causa a doença, como diagnosticá-la e como conviver com ela sem restringir drasticamente a dieta:

 

CAUSA

 

Como falamos, a intolerância é causada pela diminuição de lactase no tubo digestivo, que  passa a digerir a lactose por meio de um processo que causa incômodos para quem convive com esse quadro. Grupos familiares que têm tradição no consumo de leite, como os provenientes do norte da Europa, têm mais chances de produzir a enzima mesmo em idade adulta, tanto que a intolerância nessa região alcança apenas 5% da população. Em contraponto, quem vive na África Subsaariana, por exemplo, que não tem tradição de consumo de lactose, quase que certamente não terá a enzima quando adulto, por isso 90% da população na região é intolerante.

 

A intolerância pode ser agravada quando há um desequilíbrio na flora intestinal normal (disbiose). Um dos principais grupos de bactérias que povoam nossos intestinos são os lactobacilos; eles acabam produzindo lactase e nos ajudam a digerir e absorver a lactose, mesmo na idade adulta. Se tivermos uma menor quantidade deste tipo de bactérias acabamos lidando mal com os derivados de leite.

 

Existe uma diferença entre intolerância à lactose e alergia às proteínas do leite. Esta última apresenta sintomas mais severos. Por isso é importante identificar o que se tem, para poder tratar corretamente.

 

IDENTIFICAÇÃO

 

Existem dois testes principais para determinar a intolerância. Ambos envolvem a ingestão de uma bebida rica em lactose. Uma das opções é medir o hidrogênio expirado depois do consumo da bebida. Se estiver aumentado é sinal de que está ocorrendo a fermentação pelas bactérias, ou seja, não há presença de enzima e está confirmada a intolerância. A outra opção é dosar a glicose no sangue após beber lactose. Se ela não se elevar é porque não está havendo sua digestão, por provável intolerância.

 

Mas existem testes caseiros para identificar a doença também. Estes são baseados na sobrecarga oral. Para isso, basta  misturar lactose em pó num copo de água e observar se algum sintoma aparece. O ideal é começar com 25 gramas de lactose (que é a quantidade que existe em 2 copos de leite), não importando o método de processamento. Não adianta beber o próprio leite, pois ele contém outros componentes, como a caseína e o whey, que podem provocar intolerância por si só e dificultar a interpretação do teste.

 

CONSUMO DE LEITE

 

Até quem tem comprovadamente a intolerância é capaz de consumir quantidades moderadas (12g ou 1 copo) de leite. A confusão e corriqueira proibição ocorre pelo fato de muitos adultos apresentarem alterações digestivas por outros problemas, concomitantes ou não, como síndrome do colo irritável, intolerância ao glúten e até mesmo à frutose. Ou seja, se os testes derem positivos para intolerância à lactose, pode não ser necessário cortar o leite da alimentação. Como saber com certeza? Procurando ajuda com profissionais capacitados para a correta orientação.   

 

Acompanhe o blog da QuantumBIO e saiba mais sobre o impacto dos alimentos em nosso organismo.

 

* Este texto foi escrito sob a consultoria do Dr. Carlos Braghini Jr.


Faça seu comentário:

País:

Atuação profissional: