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Fatores que podem favorecer o desenvolvimento do câncer.

27/03/2018 11:50:52

Há uma estimativa de que para uma célula proliferar-se e transformar-se em um tumor sejam necessários de 6 a 8 anos. Provavelmente ao longo de nossa existência, desenvolveremos vários processos de proliferações celulares, que podem formar microcânceres no organismo, porém, com um sistema imune fortalecido, somos capazes de eliminá-los naturalmente. (1,2)




Alguns fatores podem favorecer o desenvolvimento do câncer e contribuir na formação de um ambiente estimulante ao crescimento e proliferação das células cancerosas:  


SISTEMA IMUNE DEPRIMIDO:

Pessoas com o sistema imune deprimido podem desenvolver câncer, já que ele é o responsável por manter o controle sobre formações iniciais de tumores sem permitir que esses evoluam.                                 

 

Muitos medicamentos utilizados na atualidade deprimem o sistema imune, como é o caso dos imunossupressores (corticóides, quimioterápicos, entre outros). Isso nos leva a verificar que pessoas com imunodeficiências adquiridas e congênitas tem maior probabilidade de desenvolverem um câncer do que pessoas saudáveis da população. (3)                                                  


INFLAMAÇÃO E ANGIOGÊNESE:

Dr. Virchow há 150 anos postulava a relação entre inflamações e câncer, onde foi observado que inflamações crônicas em determinados locais e tecidos favoreciam o surgimento de câncer. (4)

 

“De cada seis tipos de câncer, um está relacionado a inflamação crônica dos tecidos.”      

                 

As células cancerosas obrigam macrófagos do sistema imune a produzirem prostaglandinas, enzimas e fatores de crescimento que permitem a criação de novos vasos, angiogênese, e possibilitam que elas recebam nutrientes e possam invadir outros tecidos distantes através de metástase. (5,6)          




INFLAMAÇÃO E ALIMENTAÇÃO:

      

A alimentação baseada em alimentos inflamatórios também pode contribui para o quadro de inflamação crônica, e favorece o crescimento e evolução das células tumorais. Mas há muitos alimentos com propriedades anti-inflamatórias. (7)

  



RADICAIS LIVRES E O ESTRESSE OXIDATIVO:

 

Outro ponto importante a considerar é sobre os radicais livres. O estresse oxidativo é extremamente prejudicial ao organismo e facilita o desenvolvimento do câncer. Destrói o tecido conjuntivo, que poderia ser uma barreira de contenção física para o crescimento do câncer (encapsular e limitar o tamanho), afeta o DNA produzindo mutações, ativa os oncogenes e inibe a morte programada das células e afeta as membranas celulares.                                                                 

Eles resultam da digestão de alimentos, metabolismo, da respiração, de exercícios físicos, conflitos emocionais, medicamentos, processos inflamatórios, entre outros.  

 

Dentre os medicamentos, os quimioterápicos são os que mais geram radicais livres. Por isso, a importância que durante um tratamento quimioterápico o paciente utilize suplementação uma alimentação que favoreça a recuperação e diminua o dano celular.

 

Podemos nos proteger do estresse oxidativo com substâncias antioxidantes que são capazes de neutralizar os radicais livres como as vitaminas C e E, betacarotenos, polifenóis, clorofila... Além de oligoelementos que são indispensáveis ao bom funcionamento do sistema de enzimas antioxidantes como selênio, cobre, zinco e manganês.

 

HIPERGLICEMIA:

 

Além de estimular a produção de mais insulina, o excesso de açúcar ainda aumenta a atividade da proteína beta-catenina e induz a alterações que promovem a proliferação celular em células tumorais do intestino delgado, mama, ovário, pâncreas, cólon, entre outros. (11)             

                                                                     

Há ainda os fatores ambientais, que tem um peso maior do que a origem genética na origem dos cânceres:




AGENTES CANCERÍGENOS FÍSICOS: radiações ultravioleta e ionizantes;                                            

AGENTES CANCERÍGENOS QUÍMICOS: amianto, fumaça do tabaco, aflatoxinas, arsênico, benzopireno, drogas alopáticas;                    

AGENTES CANCERÍGENOS BIOLÓGICOS: infecções causadas por vírus, bactérias, parasitas.




Mudanças na alimentação e estilo de vida podem contribuir na prevenção do câncer

 

De acordo com a OMS, mais de 30% das mortes por câncer poderiam ser evitadas se eliminássemos: tabagismo, obesidade e sobrepeso, sedentarismo, dietas pouco saudáveis pobres em frutas, legumes e verduras, consumo de álcool, infecções por parasitas, ar poluído nas cidades e uso de produtos tóxicos em cosméticos, saneantes e alimentos.      

                                 

Ou seja, através de uma mudança na nossa alimentação e no nosso estilo de vida, podemos nos prevenir dessa doença agressiva e muitas vezes silenciosa nos estágios iniciais, ou ainda, podemos fortalecer nossa batalha quando em tratamento.                                     

 

Qualquer outra terapia complementar que possa ser acrescida ao tratamento, que trabalhe o indivíduo energeticamente (Reiki), técnicas de massagem (Shiatsu, reflexologia), meditação (Yoga), uso da acupuntura e conhecimentos da medicina tradicional chinesa, exercícios físicos, e até mesmo o exercício da bondade, caridade e amor ao próximo podem contribuir imensamente para o fortalecimento do conjunto corpo-mente-espírito e auxiliar o organismo no controle desses processos celulares descontrolados.

 

Referências:
1 BURNE, F. M. The concept of immunological surveillance. Progr Experim Tumor Res, 1970. 13: 1-27.
2 PURTILO, D. T. Defective immune surveillance in viral carcinogenesis. Lab Invest, 1984. 51: 373-385.                        
3 McCLAIN, K. L. Immunodeficiency states and related malignancies. Cancer Treat Res, 1997. 92: 39-61.                   
4 DVORAK, H. F. Tumors: wounds that do not heal. Similarities between tumor stroma generation and wound healing. N Engl J Med, 25 dez. 1986. 315(26): 1.650-1.659.                                                                                                                   
5 ERRENI, M.; MANTOVANI, A.; ALLAVENA, P. Tumor-associated Macrophages (TAM) and Inflammation in Colorectal Cancer. Cancer Microenviron, ago. 2011. 4(2): 141-154.                                                                                                       
6 ALLAVENA, P.; MANTOVANI, A. Immunology in the clinic review series; focus on cancer: tumour-associated macrophages: undisputed stars of the inflammatory tumour microenvironment. Clin Exp Immunol, fev. 2012. 167 (2): 195-205.      7 REINAGEL, M. The inflammation free diet plan. Nova York: Ed. McGraw Hill, 2006.                                                    
8 VAUPEL, P. Tumor microenvironmental physiology and its implications for radiation oncology. Semin Radiat Oncol, 2004. 14: 198-206.                                                                                                                                                          
9 TANNOCK, I. F.; ROTIN, D. Acid pH in Tumors and Its Potential for Therapeutic Exploitation. Cancer Res, 1989. 49: 4.373-4.384.                                                                                                                                                                         
10 CHEN, J. L. et al. The genomic analysis of lactic acidosis and acidosis response in human cancers. PLoS Genet, dez. 2008. 4(12): e1000293.                                                                                                                                              
11 CHOCARRO-CALVO, A.; GARCÍA-MARTÍNEZ, J. M.; ARDILA-GONZÁLEZ, S.; DE LA VIEJA, A.; GARCÍA-JIMÉNEZ, C. Glucose-induced ?-catenin acetylation enhances wnt signaling in cancer. Mol Cell, 7 fev. 2013. 49(3): 474-486.
 
Texto elaborado por Isabelle Mazzola, baseado no livro “Minha vida anticâncer” (Dicas de alimentação e hábitos saudáveis para prevenir e tratar a doença) da Drª Odile Fernández Martinéz, editora Sextante.

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