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Controle do ambiente domiciliar - Por Dr. Carlos Braghini Jr.

06/10/2017 10:42:20

O objetivo do controle do ambiente domiciliar é reduzir ao máximo possível o contato das mucosas respiratória e gastrintestinal com as substâncias que causam as alergias (alergenos) ou as que desencadeiam e mantém as crises (irritantes). Além disso, os produtos de higiene pessoal e para a limpeza de casa possuem substâncias derivadas de petróleo que exigem desintoxicação pelo fígado, sobrecarregando-o. Muitas destas substâncias não podem ser metabolizadas por nosso organismo e são, assim, depositadas em outros locais (articulações, tecido nervoso etc.).

 

As medidas de controle ambiental devem ser encaradas como hábitos de higiene e mantidas por toda a vida. São fundamentais, tanto para o controle dos sintomas alérgicos, quanto para diminuir a carga de toxinas que nosso organismo é obrigado e lidar todos os dias.

 

Por isso, é preciso controlar ao máximo a absorção destas substâncias. Algumas possuem cheiro ativo e é fácil evitá-las, Entretanto, muitas não possuem cheiro, ou possuem efeito residual, e atuam silenciosamente. As ações a seguir devem ser tomadas por todos na sua residência, sob o risco de não se obter êxito terapêutico:

 

  • Um inimigo oculto são os ácaros que vivem nos colchões e travesseiros. Depois de 2 anos, calcula-se que 20% do peso de um colchão ou travesseiro são de corpos de ácaros e seus ovos e excrementos. Estes elementos sofrem ação de fungos, que são inalados todos os dias ao dormir. Por isso, é fundamental recobrir colchões e travesseiros com material impermeável (napa, courvin, vulcouro, tayvek), em envoltório completo sem respiradores, velcro ou zíper. O travesseiro do companheiro(a) também precisa ser encapado. Procure um estofador de sua confiança e faça as capas sob medida. Faça o mesmo com as demais camas do quarto, evitando deitar em camas que não estejam nestas condições. Deve se evitar usar as capas prontas (a não ser que seja impossível encapá-las com estofador) desde que envolvam totalmente objeto. Usar roupa de cama normal sobre a forração. Não fazer isso levará o tratamento ao insucesso.
  • Sofás e poltronas de tecido também devem ter o mesmo revestimento.
  • As cortinas do quarto devem ser de tecido leve e lavável. Elas não devem chegar ao chão e não devem ficar junto à cama. Evite deixar junto à cama almofadas não encapadas ou brinquedos/bichos de tecido.
  • Evite ter tapetes ou carpetes no quarto de dormir/escritório. Não sente ou deite sobre eles.
  • O quarto deve ser mantido arejado durante o dia e deve ser limpo, cuidadosamente, usando pano úmido e/ou aspirador de pó. Não usar vassoura, espanador, escova ou panos secos.
  • Os filtros de ar condicionado e as pás dos ventiladores devem ser limpos semanalmente.
  • Quem está doente ou tem sintomas alérgicos não deve espanar, varrer, arrumar camas, gavetas, estante etc. Não deve permanecer em casa nas horas de limpeza. Não sendo isso possível, improvisar máscara com pano úmido.
  • Limpar gavetas e armários com pano úmido. Em casos mais graves, elimine todos os livros e brinquedos expostos.
  • Não deixe plantas dentro do quarto ou em ambientes fechados. Elimine todas as plantas em xaxim, devido ao mofo, que cresce na terra e no próprio xaxim.
  • Evite dormir com animais de pelo e pena.
  • Evitar ambientes úmidos e o manuseio de objetos e roupas guardadas por longo tempo, por estarem mofados e empoeirados.
  • Não usar cobertores de lã ou colchas de chenile nem mesmo colocados entre as cobertas. Caso tenha que dormir no mesmo quarto com outra pessoa, esta deverá seguir as mesmas instruções. Prefira cobertores do tipo “thermocell”, mantas laváveis, colchas sem pelos ou edredons de nylon. Colcha de piquet como “cobre leito” está permitido, assim como edredons cujo somente o revestimento externo é de algodão está permitido.
  • Não usar agasalhos de lã, nem mesmo acrílica (não existe lã antialérgica). Usar unicamente agasalhos de flanela, gabardina, veludo, nylon, malhas de seda ou algodão, couro, pelica, camurça, moletom etc. Em se tratando de crianças de colo alérgicas, as pessoas que tiverem contato com as mesmas (pais, irmãos, babás etc.) devem utilizar o mesmo tipo de agasalho.
  • Nos locais onde há o crescimento de ácaros e mofo aplique fenol 5% ou mertiolato incolor diluído em água (1 para 1). Não utilizar em hipótese alguma pastilhas antimofo, naftalina, acaricidas etc., pois todos são irritantes antialérgicos potentes. Pelo mesmo motivo, não use aromatizadores de ambiente em spray, exceto de forem feitos com óleos essenciais naturais e sem produtos químicos derivados de petróleo.
  • Evitar residências fechadas há longo tempo, bibliotecas, sótãos, porões, adegas, estábulos, cocheiras, galinheiros etc.

 

A maior parte dos irritantes podem alcançar nossas células por inalação, pela pele ou pelo sistema gastrointestinal. Seu efeito tóxico persiste mesmo depois do cheiro ter desaparecido. Aprenda a distinguir que alimentos pioram suas crises ou sintomas digestivos e intestinais. Se você é daqueles que diz que pode comer de tudo, cheirar tudo que nada de mal lhe acontece, cuidado! Isso pode significar que seu sistema imunológico está tão sobrecarregado que não consegue mais reagir às substâncias tóxicas. Se é o seu caso, devemos conversar para instituir uma terapia de desintoxicação.

 

Por conta disso tudo, procure ter hábitos de vida saudáveis:

 

  • Não fumar, ter vida ao ar livre e praticar esportes. Evitar ambientes enfumaçados. Não ficar perto de pessoas fumando ou de cinzeiros, mesmo com cigarro apagado. Não deixar que fumem dentro de casa, carro ou escritório.
  • Não aplicar em casa nenhum inseticida, inclusive as chamadas "espirais" bem como repelentes de insetos, sejam eles de parede ou para aplicar na pele. Não usar dedetização com massas. Não existe dedetização antialérgica. Todos os inseticidas são irritantes respiratórios e sobrecarregam o fígado mesmo se o cheiro já não é mais perceptível (ação residual).
  • Evitar quaisquer odores ativos por serem irritantes respiratórios: perfumes (inclusive de talco e sabonetes), desinfetantes, ceras, gasolina, querosene, óleo, fumaças em geral, formol, amônia, éter, tinta para paredes, colas etc.
  • Não permanecer em residências pintadas ou enceradas recentemente. Não usar na limpeza de casa produtos que contenham cheiro. Para limpar a casa no dia-a-dia, basta água com um pouco de álcool. Para limpeza pesada, use sapólio sem cloro. Se precisar usar água sanitária ou desinfetante tipo Pinho Sol, procure ficar no longe do ambiente durante sua aplicação e até que o cheiro desapareça. Não use pastilhas que ficam no vaso sanitário e abandone o hábito de deixar desinfetantes líquidos boiando neles. Basta limpar o vaso e dar a descarga para o cheiro ir embora.
  • Para uso pessoal use somente sabonetes feitos de glicerina vegetal sem cheiro. Nunca use sabonete bactericida. Só use xampu e condicionador naturais, sem cheiro. Passe a usar Leite de Magnésia de Philipps como desodorante. Considere usar sabão de coco em barra para lavar o corpo e os cabelos.
  • Antes de dormir, aplique nas narinas óleo de gergelim ou azeite de oliva.
  • Para lavar as roupas, use somente sabão de coco em pó ou barra. Procure os da marca Ruth. Não use amaciantes de roupa.
  • Na cozinha, use sabão de coco em pasta (Ruth). Use detergente biodegradável sem cheiro.
  • Evitar contato com substâncias tóxicas (tintas, vernizes, óleos lubrificantes etc.)
  •  Não pinte os cabelos e evite passar esmalte com frequência.  

Por Dr. Carlos Braghini Jr.


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