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Cogumelos que salvam vidas.

21/07/2017 18:11:54

Se mais brasileiros soubessem o valor terapêutico dos cogumelos, certamente se renderiam ao alimento. Fonte proteica, eles são ricos em fibras, vitamina C, vitaminas do complexo B, cálcio e minerais, além de serem excelentes fontes de antioxidantes e (as mulheres vão adorar saber), pouco calóricos. Ideal para serem inseridos na dieta de qualquer pessoa!


 Os três mais conhecidos são o champignon de Paris, o shiitake e os vários tipos de shimeji. Apesar de cada um ter um sabor específico, todos possuem algo em comum: muitos nutrientes! Nutrientes esses que são capazes de prevenir diversas doenças, inclusive o câncer. E não é necessária uma alta dose para sentir os efeitos positivos, 250 a 300 gramas por semana são suficientes para se beneficiar das vitaminas deste alimento, que não é nem planta nem animal, mas um fungo.


Fungo milenar! Desde o antigo Egito, os cogumelos eram iguarias servidas aos faraós, e os romanos ofereciam aos gregos nas estonteantes festas que faziam. No século 21, descobriram várias características desse alimento saboroso que pode ter um papel importantíssimo no combate à proliferação de doenças graves, como o câncer. Eles possuem substâncias capazes de reforçar a função imune do organismo. De fato, alguns dos mais potentes agentes imunoprotetores vêm de cogumelos, e esta é uma razão pela qual eles são tão benéficos para a prevenção e o tratamento do câncer.


São também ricos em vitaminas A e C, D, betacaroteno, compostos fenólicos, terpenos, entre outras substâncias que apresentam efeitos antioxidantes, o que ajuda na prevenção de outras tantas doenças como a artrite reumatoide, a cirrose, a arteriosclerose e processos degenerativos associados ao envelhecimento.


A variedade Agaricus blazei (cogumelo-do-sol), pode ajudar no controle da pressão arterial e do colesterol, devido a sua riqueza em fibras e gorduras não saturadas. Essa espécie também contém vitaminas B1 e B2, além de apresentar grandes quantidades de ergosterol, que pode ser convertido em vitamina D2 quando seco ao sol ou desidratado.


Devido a todas essas propriedades medicinais, os cogumelos podem ajudar na prevenção e no combate de uma série de doenças. Vamos ver quais são elas:


  • Diabetes

Várias espécies possuem propriedades hipoglicêmicas, que baixam o açúcar no sangue, devido à quantidade de fibras, polissacarídeos e outros compostos presentes no alimento, como as betaglucanas, que também teriam um efeito antidiabético.

Diversos estudos preliminares realizados com ratos, entre eles um feito pela Universidade de Gimhae, na Coreia do Sul, mostraram que após consumirem o cogumelo-do-sol, que é rico em betaglucanas, houve redução na concentração de glicose dos animais. 

  • Grávidas

Cogumelos como o shiitake são ricos em ácido fólico, substância que, quando em falta no organismo, pode favorecer o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e até mesmo desordens mentais, como o Alzheimer. O nutriente é essencial para as gestantes, pois contribui para evitar malformações neurológicas no feto, já que ele ajuda na construção do tubo neural do bebê. Além disso, um estudo publicado pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, observou que tomar suplementos alimentares de ácido fólico durante a gravidez reduz as chances de o bebê nascer com autismo.  

Outro ponto positivo é o fato de o fungo apresentar alto valor de proteínas, de 19% a 35%, incluindo todos os aminoácidos essenciais. A vitamina C também está presente nos cogumelos. Ela é interessante para a saúde porque melhora a imunidade e possui ação antioxidante. 

  • Câncer

Estudos preliminares apontam a relação entre o cogumelo e o tratamento do câncer, isto porque o alimento é rico em betaglucanas, especialmente a lentinana. Essa substância estimula o sistema imunológico, especialmente células chamadas de natural killer, que destroem as células cancerígenas. Além disso, elas agem contra o envelhecimento precoce, na longevidade, no controle das taxas de açúcar, modulam o sistema imunológico e inibem o crescimento tumoral.

Um estudo que revisou várias pesquisas sobre este alimento, publicado pelo Journal of Functional Foods, mostrou que cogumelos são geralmente bem tolerados, com pouca ou nenhuma manifestação de efeitos colaterais. Segundo a pesquisa, a ação sobre os tumores decorre da presença de polissacarídeos que estimulam a morte das células relacionadas à doença. O cogumelo-do-sol é a espécie que mais apresenta esse poder. Entretanto, o champignon e o shiitake têm sido consideradas ótimas opções contra a doença.

O mastologista e oncologista Jorge Laerte Gennari, ex-professor da Faculdade de Medicina do Amazonas, utiliza comprimidos de cogumelo-do-sol como parte do tratamento do câncer de mama. "Tenho 400 pacientes em observação para saber se o cogumelo auxilia no tratamento deste câncer. Porém, isso não invalida a recuperação convencional, como cirurgia e quimioterapia, ele não é milagroso", alerta Gennari. 

Outros compostos contidos em cogumelos, como proteínas fúngicas, lectinas  peptídeos e lacases também foram relatados por terem efeitos significativos sobre a função imunológica. Um extrato polissacarídeo ligado às proteínas de cogumelos está sendo usado para aumentar a função imunológica dos pacientes com câncer em países como o Japão. Muitas pesquisas mostram que os cogumelos têm efeitos diretos anticâncer, como as seguintes que iremos elencar:

- Em um estudo japonês, ratos que sofrem de sarcoma receberam extrato de cogumelo shiitake. Seis dos 10 animais tiveram regressão completa do tumor e, com concentrações ligeiramente superiores, todos os 10 camundongos mostraram regressão completa.

- Alentinana, presente em cogumelos shiitake, foi usada para aumentar a taxa de sobrevivência de pacientes com câncer.

- Os extratos de cogumelos maitake, quando combinados com a vitamina C, foram utilizados para reduzir o crescimento das células de câncer de bexiga em 90%, bem como as matar.

- No Japão, as duas principais formas de medicina alternativa usadas por pacientes com câncer são um cogumelo chamado Subrufescens Agaricus (Aka Agaricus blazei e Agaricus Brasiliensis) e o extrato de cogumelo shiitake 7.

- Ácido ganoderic, presente em cogumelos Reishi, pode ser útil no tratamento do câncer de pulmão.

Um cogumelo particularmente único, cordiceps, também chamado “fungos de larva” ou Tochukasu, tem propriedades antitumorais. Este cogumelo parasita é único porque, na natureza, ele cresce a partir de um inseto hospedeiro, em vez de uma planta hospedeira. Ele tem sido muito utilizado dentro de medicina tradicional chinesa e tibetana. Cientistas da Universidade de Nottingham têm estudado o cordycepin, um dos compostos medicinais ativos encontrados nestes fungos como um medicamento contra o câncer em potencial.

  • AIDS 

As betaglucanas também podem ser interessantes para o tratamento de portadores do vírus HIV, porque elas melhoram o sistema imunológico. O cogumelo também possui ação antimicrobiana que pode atuar contra os vírus. Pesquisas preliminares mostraram melhora dos sintomas do HIV após o consumo do fungo. Ainda são necessários mais estudos para se comprovar este benefício. É importante ressaltar que o cogumelo pode ser somente um aliado no combate ao HIV, assim continua sendo importante manter o tratamento tradicional da doença. 

  • Antioxidante

Os cogumelos possuem forte ação antioxidante, ou seja, agem combatendo os radicais livres do organismo, atuando contra doenças como o câncer, a artrite reumatoide, cirrose, arteriosclerose, bem como processos degenerativos associados à idade.

A ação antioxidante ocorre porque os cogumelos são ricos em vitaminas A e C, betacaroteno, compostos fenólicos, terpenos, entre outras substâncias que possuem este efeito. Os principais tipos que se destacam são: champignon de Paris, portobello, cogumelo-do-sol, shitake, hiratake, cogumelo rei e cogumelo salmão. 

Um desses antioxidantes é o ergothioneine, que os cientistas estão começando a reconhecer como um “antioxidante mestre.” Um estudo anterior na revista Nature discute a importância da ergothioneine, que é bastante exclusiva dos cogumelos, e o descreve como “um derivado sulfurado invulgar do aminoácido histidina”, que parece ter um papel muito específico para proteger o ADN de danos oxidativos.

  • Colesterol

Estudos iniciais relacionam os cogumelos com a diminuição do colesterol. Uma das questões que poderia contribuir para o benefício é o fato de alguns cogumelos, como o shimeji e o oudemansiellacanarii, serem ricos em vitamina B3, que ajuda na diminuição do colesterol ruim, LDL. Outra possibilidade é o fato do fungo ser rico em fibras, o que também contribui para reduzir os níveis do LDL. Alguns cogumelos, especialmente o shitake, possuem a eritadeina, que também ajuda a reduzir os níveis de colesterol.  

  • Tireoide

Estudos apontam que certos tipos de cogumelos possuem compostos que agem no metabolismo e podem auxiliar no controle de certos hormônios. Alguns deles são os secretados pela tireoide, portanto o consumo do alimento é interessante para quem tem doenças como o hipertireoidismo e o hipotireoidismo. 

  • Ossos

O alimento conta com poucos lipídeos e considerável quantidade de fósforo, um mineral que atua no metabolismo auxiliando na ativação das vitaminas do complexo B e também tem a função de fortalecer ossos e dentes, juntamente com o cálcio. 

  • Antimicróbicos

Alguns cogumelos se destacam pela ação antimicrobiana e assim combatem alguns microrganismos prejudiciais para o corpo humano. Isto ocorre porque, em seu ambiente natural, os cogumelos necessitam de compostos antibacterianos e antivirais para sobreviver. 

Certas espécies se destacam, como o pleurotussalmon, que possui esta atividade comprovada contra determinadas bactérias por conter a substância pleurotina. Segundo a bióloga SaschaHabu, o shitake, o funghi e o cogumelo dourado também possuem ação antimicrobiana.  


COMO INSERIR O COGUMELO NA DIETA?


Com todos esses benefícios, é importante começar a adicionar esses fungos nas suas refeições. Eles combinam com tudo: saladas, carnes, peixes e massas. Apenas verifique se eles foram cultivados de forma orgânica para evitar contaminantes nocivos que eles absorvem. E não saia por aí colhendo cogumelos em qualquer lugar que você os encontre. Muitos fazem mal à saúde. Deve-se saber diferenciá-los.


Consumir os cogumelos crus geralmente é a melhor alternativa se você estiver procurando manter a saúde ideal, uma vez que ajudam a manter a função dos seus vários sistemas. Os cogumelos são considerados tônicos que tem efeitos benéficos através de diversos sistemas do seu corpo que não diminuem com o tempo. Para isso,  o melhor é ingerir continuamente.


No caso do champignon de Paris evite a versão em conserva. Isto porque ela possui muitos aditivos químicos que podem ser prejudiciais para a saúde. Procure consumir sempre os champignons frescos. 


Note o aspecto do cogumelo antes de consumi-lo. Este alimento tem um prazo de validade e, quando está ruim, solta uma água escura e um odor característico. Também é importante consumir somente os fungos cultivados por produtores corretamente cadastrados.


Quanto ao funghi secci, que é basicamente o cogumelo seco, é interessante observar a maneira como ele foi desidratado. Não ultrapasse a temperatura de 60 graus, pois assim o alimento mantém os seus princípios ativos. 


Caso você não goste do sabor, tente comprá-los desidratados. Uma colher de chá ou duas adicionadas a umshake ou em uma refeição pode ser um bom começo para inserir este rico alimento na sua dieta. Cogumelos desidratados não necessitam de refrigeração e têm uma vida útil longa.


A maioria dos concentrados ou extratos de cogumelos são chamados extratos de água quente, onde o cogumelo é fervido durante longos períodos para extrair as cadeias de polissacarídeos. O produto final é uma forma concentrada de glyconutrients (açúcares complexos) concebido para ser responsável por muitos benefícios à saúde, particularmente as propriedades imunomoduladoras. No entanto, o calor de extração de água quente irá destruir muitos dos compostos bioativossensíveis à temperatura (vitaminas, proteínas, aminoácidos, enzimas) e não irá capturar os compostos insolúveis ou solúveis em álcool (fibras dietéticas insolúveis).


PRINCIPAIS TIPOS


De acordo com o especialista Luis Celso Possobon, produtor de cogumelos e membro da Associação Nacional dos Produtores de Cogumelos (Anpc/SãoJosé dos Pinhais-PR), “existem milhares de tipos de cogumelos do reino funghi, de diferentes espécies, mas, de valor culinário e terapêutico, temos cerca de 50 variedades com relevância em todo o mundo”.


O Brasil não possui uma cultura de consumo de cogumelos e muitos acreditam que isso se deva ao fato de o país ter sido colonizado pelos portugueses, que tampouco tinham o hábito de consumir este alimento. O registro do uso pelos povos indígenas na alimentação e para propósitos medicinais é muito limitado. Há relatos, porém, de que os grupos Sanema e Yanomami, na Amazônia, são consumidores de uma grande variedade de cogumelos.

 

Foi somente na primeira metade do século passado, com a chegada de japoneses e chineses em grande número ao país, estabelecidos principalmente no estado de São Paulo, que a história do cultivo de cogumelos no Brasil começou. 


Atualmente, são conhecidas mais de dez mil espécies de cogumelos, das quais cerca de duas mil são consideradas comestíveis. Destas, vinte são cultivadas comercialmente. No Brasil, as mais comercializadas são:


  • Champignon de Paris - Agaricusbisporus

Conhecido no Brasil como "Champignon de Paris” e nos países de língua inglesa como “Button Mushroom”, Agaricusbisporus é cultivado em um composto orgânico que pode ter em sua composição palhas de cereais, gramíneas, bagaço de cana e esterco animal. Ele é o cogumelo mais produzido em todo o mundo, sendo responsável por 38% da produção mundial, principalmente na Europa, América do Norte, China e Austrália. No Brasil, estima-se que a sua produção represente mais de 66% do total de cogumelos “in natura” do país.

  • Cogumelo Ostra - Pleurotus

Dentro do gênero Pleurotus são cultivadas várias espécies de cogumelos que incluem o Pleurotusostreatus (shimeji branco e shimeji preto), Pleurotusdjamor ou PleurotusostreatoroseusPleurotuseryngiiPleurotuspulmonarius e Pleurotuscitrinopileatus. Estes cogumelos são produzidos em uma ampla gama de resíduos orgânicos (palha de cereais, serragem, bagaço de cana, resíduos de algodão) em sacos plásticos ou garrafas.

Os cogumelos do gênero Pleurotus ocupam a segunda posição na produção mundial, correspondendo a 25% da mesma. No Brasil, este grupo também ocupa a segunda posição e estima-se que sua produção represente mais de 16% do total de cogumelos “in natura” do país.

  • Shiitake - Lentinulaedodes

Lentinulaedodes, comumente conhecido como “shiitake” ou “cogumelo do carvalho”, é amplamente produzido no Japão, China e Coréia, representando 10% da produção mundial de cogumelos cultivados. No Brasil, estima-se que a sua produção represente cerca de 12% do total de cogumelos “in natura”.

  • Champignon do Brasil - Agaricusblazei 

Este cogumelo, mundialmente apreciado por suas qualidades gastronômicas e especialmente por suas propriedades medicinais, é conhecido comumente por várias denominações, tais como, “Cogumelo Medicinal”, “Champignon do Brasil”, “Royal Sun Agaricus”, “The Brazilian Medicinal Mushroom” e, no Japão, “Himematsutake”. 

Descoberto na região de Piedade, estado de São Paulo, em meados da década de sessenta do século passado, foi enviado ao Japão, onde vários estudos sobre as suas propriedades medicinais foram relatados. Classificado inicialmente pelo taxonomista belga Paul Heinemann como Agaricus blazei Murrill, teve sua nomenclatura revisada a partir de 2002. Ainda não há um consenso entre os especialistas a este respeito, de modo que o cogumelo é referido na literatura mundial como Agaricus blazeiAgaricus brasiliensis e Agaricus subrufescens. Algumas publicações brasileiras relatando propriedades medicinais em estudos clínicos referem-se ainda ao cogumelo como pertencente à espécie Agaricus sylvaticus.


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