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Poluição eletromagnética. O que os olhos não veem, o corpo sente.

21/07/2017 18:09:32

Quais os efeitos da energia invisível do wi-fi, linhas de alta tensão, telefones celulares e antenas à saúde?


 Radiações não ionizantes (RENI) a, compostas por campos elétricos e magnéticos oscilantes, podem se originar de fontes naturais, como relâmpagos, o sol dentre outras, ou seja, encontram-se presentes naturalmente no meio ambiente. Entretanto, surgem também de fontes artificiais criadas por nossa sociedade. As ondas eletromagnéticas se tornam um efeito colateral de nossa tecnologia a partir da segunda metade do século IXX, como consequência da segunda revolução industrial. Em 1880, redes elétricas já se encontravam espalhadas pelo mundo, posteriormente surge o rádio, a televisão e se ampliam as redes de telecomunicações. Assim, nossa biosfera se torna cada vez mais poluída com ondas eletromagnéticas. Toda energia despejada no meio ambiente a cada instante, por causa de radiações eletromagnéticas geradas por fontes artificiais, não estava presente no planeta durante a maior parte de sua existência e por isso não pode ser considerada natural.


O que preocupa muitos cientistas são as radiações eletromagnéticas emitidas em grande quantidade pelo excesso de equipamentos elétricos e eletrônicos utilizados por nossa sociedade. Esse tipo de radiação permeia o espaço, atravessa qualquer tipo de matéria viva ou inorgânica (exceto metais), e produz uma poluição imperceptível que tem potencial para produzir efeitos nocivos nos seres vivos e consequentemente, no homem.


O uso da energia eletromagnética tornou-se tão arraigado no cotidiano das grandes cidades que já não é possível se privar do contato com ela. Além dos telefones celulares, os aparelhos eletrodomésticos e as linhas de alta tensão estão por toda a parte e são emissores de ondas eletromagnéticas.


“Vivemos em um micro-ondas gigante”, afirma o engenheiro eletrotécnico Eugénio Lopes1, ao alertar sobre o impacto da presença dos campos eletromagnéticos e radiações associadas.


Segundo Lopez, o corpo humano não foi preparado para lidar com as interferências das radiações e dos campos eletromagnéticos. O engenheiro esclarece que tanto os celulares, quanto qualquer outro tipo de comunicação sem fio – como wi-fi e bluetooth  – utilizam ondas eletromagnéticas para transmitir dados ou voz. As radiações eletromagnéticas emitidas por estes aparelhos estão na faixa do espectro eletromagnético chamado de micro-ondas.


O enfraquecimento do sistema imunológico, segundo o engenheiro, é a consequência mais grave da poluição eletromagnética. O efeito nocivo ocorre quando o campo elétrico dessas tecnologias interfere na bioeletricidadeb natural do corpo humano. Lopes explica que as radiações eletromagnéticas podem ocasionar dores de cabeça, irritabilidade e diversos tipos de câncer.


“As consequências são mais evidentes em pessoas que apresentam eletrossensibilidade, mas esse tipo de poluição afeta a todos” – explica o pesquisador. 


ANTENAS DE TELECOMUNICAÇÕES E MORTES POR CÂNCER


Um estudo referência no mundo foi realizado em Belo Horizonte pela professora da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, Adilza Dode. A tese de doutorado de Adilza2 evidencia mortes por câncer devido a emissões de ondas eletromagnéticas por antenas de telefonia celular na capital mineira. A pesquisadora selecionou de uma população de 22.543 casos de óbito por câncer na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais; uma amostra de 4.924 pessoas que faleceram devido a tumores reconhecidos na literatura como sendo causados por radiações eletromagnéticas não ionizantes. Dessa amostra, a pesquisadora constatou que 81,37% dos óbitos foram em pessoas que residiam em até 500 metros de torres de telefonia celular, ou seja praticamente 4006 pessoas.


Segundo Adilza, os padrões permitidos no Brasil são os mesmos adotados pela Comissão Internacional de Proteção Contra Radiações Não-Ionizantes (Icnirp), normatizados em legislação federal de maio de 2009.


“Até hoje, ninguém sabe quais os limites de uso inócuos à saúde. Os padrões adotados pelo Brasil são inadequados. Eles foram redigidos com o olhar da tecnologia, da eficiência e da redução de custos, e não com base em estudos epidemiológicos”, afirma a pesquisadora.


OMS RECOMENDA REDUÇÃO DE USO


Em 2010, a Food and Drug Administration (FDA), órgão de saúde dos Estados Unidos, divulgou um comunicado afirmando que, apesar do aumento drástico no uso de telefone celular, as ocorrências de câncer no cérebro não aumentaram entre 1987 e 2005.


Diante da incerteza acerca dos impactos, em 2011, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um documento no qual classifica a radiação eletromagnética como “potencialmente cancerígena” e recomendou a redução das emissões “tanto quanto possível”.


Quatro anos antes, um Grupo de Trabalho criado pela OMS para discutir o assunto publicou documento no qual aponta recomendações sobre exposições de curto e longo prazo.


Para o longo prazo, as indicações são de que o governo e a indústria devem acompanhar as descobertas da ciência e promover programas de pesquisa para encontrar mais evidências sobre o prejuízo à saúde devido às RENI. Segundo a OMS, há lacunas no conhecimento do assunto e é recomendado que, quando construídas novas instalações e projetados novos equipamentos, formas de baixo custo para a redução de campos sejam consideradas.


Em relação a exposições de curto prazo, recomendações internacionais de exposição foram desenvolvidas para proteger os trabalhadores e o público contra possíveis efeitos nocivos. Programas de proteção contra poluição eletromagnética devem incluir medição de exposição a fontes que excedam os valores limites recomendados.


CIENTISTAS QUESTIONAM PARÂMETROS


Há mais de 10 anos surgem apelos da comunidade científica para conscientização dos riscos da poluição eletromagnética. O Painel Científico de Seletun (2011), organizado em Oslo, na Noruega, contou com a participação de cientistas de cinco países e teve como resultado uma série de recomendações para os governos. Entre outras conclusões, esse painel científico reconhece que as evidências dos efeitos nocivos das radiações eletromagnéticas exigem uma nova abordagem para proteção da saúde pública, do crescimento e desenvolvimento do feto e de crianças, e também clama por ações preventivas enérgicas. Novos limites de exposição, calculados com base na biologia são de urgentes para proteger a saúde humana ao redor do mundo.


O Painel estabelece em 0,1 ?T (microTesla – unidade usada para medir campos magnéticos) como limite de exposição no período de 24 horas. Sendo assim, o recomendado passa a ser 1 mil a 10 mil vezes menor do que o atual. De acordo com os cientistas, os números da ICNIRP foram definidos pelo olhar da tecnologia e redução de custos, sem ter como base estudos biológicos do impacto na saúde humana e no ambiente.


IMPACTO DAS ANTENAS VIRA CASO DE JUSTIÇA


Após tomar conhecimento dos perigos da exposição contínua a campos eletromagnéticos, um grupo de moradores do Alto de Pinheiros, localizado na zona oeste da cidade de São Paulo, moveu uma ação judicial contra a empresa AES Eletropaulo.


No processo, os moradores questionavam o aumento da radiação eletromagnética causado por novas torres instaladas pela Eletropaulo. À época, foi levantada a tese de que a exposição interage com o DNA humano podendo provocar, entre outros males, a leucemia.


Em tramitação na justiça desde 2001, o caso já passou por duas instâncias, nas quais o ganho de causa foi dado aos moradores. Atualmente, o processo está no Supremo Tribunal Federal (STF), aguardando a decisão final do ministro Dias Toffoli. Nas outras instâncias, as deliberações foram embasadas no princípio da precaução, que se caracteriza pela incerteza científica sobre o dano ambiental.


FORMAS DE PROTEÇÃO DO ORGANISMO


Ondas eletromagnéticas estão por toda parte: no avião, num teatro lotado, enquanto você dorme com a televisão ligada na tomada ou quando você coloca o despertador do seu celular para carregar. Embora a vida moderna tenha evoluído a tal ponto que não há um caminho de volta para abdicar de equipamentos emissores de radiações eletromagnéticas, existem formas de minimizar os impactos à saúde.


Uma das formas, segundo o médico e especialista em terapia por informação biofísica, Francisco Vianna3, é ter uma boa nutrição, capaz de fornecer as vitaminas e minerais necessários para manter o corpo equilibrado. Isso passa também por reduzir o máximo possível o consumo de alimentos industrializados e com agrotóxicos.


Segundo Vianna, os impulsos naturais da energia corporal são inconstantes e têm variação, pulsando de forma biológica. Já os impulsos da energia eletromagnética, provenientes de aparelhos eletrônicos e tecnológicos, têm pulso fixo, o que se torna um fator irritante para o corpo. De acordo com o médico, esse tipo de impulso é um campo de interferência à nossa saúde, causa o desequilíbrio e consequentemente é responsável por diversas doenças.  


A poluição eletromagnética é uma realidade, e mesmo que as autoridades ainda não tenham chegado a um consenso, é de extrema importância a população buscar formas de se proteger, garantindo assim a integridade de sua saúde.


 VEJA ALGUMAS MEDIDAS QUE PODEM NOS PROTEGER DAS RADIAÇÕES, TANTO NO ESCRITÓRIO COMO EM CASA.


  • Desconectar a conexão do wi-fi quando não estiver usando, especialmente durante a noite.
  • Substituir o acesso sem fio, mediante cabo de rede, ou um PLC que permite que você use suas próprias tomadas elétricas e soquetes como rede local.
  • Não abusar do celular. O melhor é utilizá-lo com a função viva voz ativada.
  • Não utilizar telefones sem fio DECTc em sua casa, os quais emitem grandes doses de radiação. Se não tiver outra opção a não ser um telefone sem fio, escolha as opções tipo ECODECTd, que pelo menos amenizam bastante o problema de RENIs quando o telefone está descansando na base.

Glossário:

a. Radiação: é o nome dado à energia quando esta se desloca através de um meio. RENI (Radiação NãoIonizante): é todo o tipo de radiação que não possui energia suficiente para liberar elétrons dos átomos a que pertencem. 
b. Bioeletricidade: refere-se às voltagens elétricas e as correntes que estão presentes nos organismos vivos. De um modo mais geral, pode-se dizer que o termo se refere aos campos eletromagnéticos gerados por organismos vivos, suas causas e consequências.
c. DECT: Digital Enhanced Cordless Telecommunication, ou em tradução livre “telecomunicação digital melhorada sem fio”.
d. ECODECT: “ECO” Digital Enhanced Cordless Telecommunication. Mesma tradução anterior e a sigla ECO significa que esta nova geração de telefones sem fio é mais segura, pois emite bem menos radiação.
 

Referências:

  1. Eugênio Lopez – Que Futuro! O Efeito da Poluição Eletromagnética Sobre a Saúde. Editora Schoba, 1ª. Edição – 2014. isbn: 9788580133578
  2. Dode, A. C. Mortalidade por neoplasias e a telefonia celular no município de Belo Horizonte Minas Gerais. Tese de Doutorado – UFMG, 2010.
  3. Francisco Vianna – Médico. Website http://www.guiagaia.com.br/profissionais/francisco-vianna-oliveira-filho-leia-artigos/#prettyPhoto acesso em 26/04/2017.


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