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Verdadeiro ou falso: "Verdades e mentiras" sobre a dieta alcalina.

21/07/2017 17:28:39

Basta fazer uma pequena pesquisa na internet e você vai encontrar tanto defesas quanto críticas fervorosas em relação à dieta alcalina. Se faltam estudos científicos de qualidade, sobram depoimentos contundentes de quem seguiu a proposta. O importante é que você tome cuidado com alguns conceitos sobre o assunto divulgados de forma errônea pela mídia.


ALIMENTOS PODEM AUMENTAR O PH SANGUÍNEO.


••• FALSO: Esta é uma das principais polêmicas destacadas pelos críticos. O pH sanguíneo varia de 7,3 a 7,4 e existem mecanismos regulatórios para garantir que esses valores fiquem estáveis. Alterações para cima ou para baixo só acontecem em situações muito específicas, como em quadros graves de doenças respiratórias ou renais. O que os defensores das dietas alcalinizantes explicam é que o objetivo não é alterar esse valor, mas fazer com que o organismo não tenha de trabalhar tanto para mantê-lo estável. A questão é que alguns termos, como "alcalinizar o sangue", ajudam o público leigo a entender certos conceitos que, tomados ao pé da letra por quem entende de medicina, podem soar como absurdo.


O PH DO SANGUE NÃO DEPENDE APENAS DA ALIMENTAÇÃO.


••• VERDADEIRO: A poluição, bem como a exposição a substâncias químicas tóxicas e o estresse – tanto o físico quanto o psicológico – podem interferir no processo de controle do pH sanguíneo. Isso intensifica o rastro de acidez deixado por alimentos como carnes vermelhas, laticínios, álcool, café e refrigerante. Por isso, a recomendação dos adeptos é ingerir uma proporção maior em torno de 70% – de alimentos com carga alcalinizante.


ALIMENTOS ÁCIDOS, COMO LIMÃO, LARANJA E ABACAXI, DEVEM SER EVITADOS.


••• FALSO: Embora as frutas cítricas tenham sabor ácido, elas produzem um rastro de alcalinidade no organismo depois que são digeridas. Além disso, são ricas em inúmeros nutrientes, como a vitamina C, que atua como antioxidante. Por isso, você só tem a ganhar ao colocá-las no cardápio, se possível diariamente. Os adeptos da dieta alcalina sugerem a ingestão, em jejum, de meio copo de água morna com limão todos os dias, para melhorar o funcionamento do intestino e também a imunidade, além de alcalinizar o sangue. Diversas entidades médicas voltadas ao estudo do câncer têm divulgado que não há evidências suficientes para defender a dieta alcalina no combate e prevenção da doença. Mas muitas delas concordam que é importante consumir vegetais, bem como frutas cítricas, para manter a saúde e minimizar o risco de tumores.


PESSOAS COM GASTRITE PODEM SE BENEFICIAR COM UMA DIETA ALCALINA.


••• VERDADEIRO: A dieta como um todo, que restringe o consumo de carnes gordurosas, frituras, comidas prontas, álcool e cafeína, só ajuda a melhorar quadros de gastrite e refluxo. No entanto, quem já apresenta lesões na parede do estômago ou do esôfago deve tomar cuidado com o consumo exagerado de cítricos. Nesse caso, consulte um nutricionista ou outro profissional de saúde antes de adotar qualquer mudança em sua dieta.


ALIMENTOS COM CARGA ÁCIDA PREJUDICAM A ABSORÇAO DE MINERAIS.


••• VERDADEIRO: Uma dieta rica em alimentos com alto potencial de carga renal (PRAL), ou, em outras palavras, itens com carga ácida fazem o organismo liberar mais minerais como o cálcio. Isso contribui para problemas como a osteoporose, especialmente em indivíduos com essa predisposição. Laticínios e carnes vermelhas possuem um valor alto de PRAL e deixam um forte rastro de acidez. Por isso, o ideal é consumi-los junto com grandes quantidades de vegetais e frutas, que são alcalinizantes. Alguns estudos científicos comprovam que a dieta pode ser útil para prevenir a osteoporose.


CARBOIDRATOS COMO ARROZ E LEGUMINOSAS SÃO CONTRAINDICADOS NA DIETA ALCALINA.


••• FALSO: Alguns carboidratos, com arroz integral, quinoa, batata-doce e lentilhas, são levemente acidificantes, mas, combinados com legumes e verduras, formam pratos com predomínio alcalino, segundo os especialistas que defendem a dieta. Outros alimentos naturais que contêm carboidratos, como o feijão e o grão-de-bico, causam fermentação e são considerados muito acidificantes, porém, como são ricos em nutrientes essenciais, podem fazer parte da dieta alcalina, desde que sem exageros.


PARA SEGUIR A DIETA, É IMPRESCINDÍVEL COMPRAR ÁGUA ALCALINA.


••• FALSO: Boa parte dos seguidores da dieta alcalina recomendam o uso desse produto, que pode ser produzido em casa, com filtros específicos, ou então comprados em garrafas. Por outro lado, eles também afirmam que espremer meio limão em um copo é o suficiente para alcalinizar a água, e ainda torna a ingestão mais interessante. Embora alguns estudos indiquem que há benefícios em se consumir a água alcalina, seu custo é alto. Por isso, se você não quer ou não pode fazer esse investimento, não se preocupe. Ninguém precisa ter prejuízo para manter uma alimentação saudável.


HÁ INDÍCIOS DE QUE A DIETA ALCALINA FAVORECE OS RINS.


••• VERDADEIRO: Um estudo publicado em 2001 no periódico Seminars in Dialysis mostrou que a dieta e certos componentes dos alimentos têm impacto claro no ácido-base, por isso mudanças no cardápio podem ajudar pacientes com problemas nos rins. A autoria é de Thomas Remer, do Instituto de Pesquisas de Nutrição Infantil de Dortmund, na Alemanha. Outros estudos apontam que uma dieta com carga ácida aumenta o risco de gota (doença causada pelo ácido úrico), hipertensão e diabetes tipo 2, doenças que colocam a saúde renal em risco.


QUEM SEGUE A DIETA ALCALINA NAO PRECISA CONTAR CALORIAS.


••• VERDADEIRO: Esta é uma das principais vantagens relatadas por quem segue a dieta: não ter de pesar os alimentos e contar as calorias que entram no prato. É que, seguindo a proporção dos 70 por 30, é muito difícil que o valor calórico dos cardápios ultrapasse o limite recomendável para um balanço energético adequado. A maior parte dos vegetais alcalinos é pobre em calorias e, ainda que alguns itens valorizados, como o abacate, sejam mais energéticos, eles ajudam a trazer saciedade e impedem que a pessoa tenha o desejo de consumir alimentos ricos em gordura ruim ou açúcar. E quer mais uma boa notícia? Quem segue a dieta não precisa ficar sem chocolate. Basta preparar uma versão da guloseima com os ingredientes certos.




OS 5 VILÕES DA OBESIDADE


Diversos itens, como pratos prontos, carnes em excesso, álcool e refrigerante, são considerados inadequados à saúde, de acordo com os seguidores da dieta alcalina. A boa notícia é que você não precisa excluir nada do seu cardápio, apenas diminuir as proporções dos itens com carga mais ácida, e reservar outros, como álcool e industrializados, para ocasiões especiais.


1 • Bebidas que contêm cafeína: Chá-preto, café e refrigerantes de cola liberam uma carga extremamente ácida para o organismo, sobrecarregando as suprarrenais. Além disso, prejudicam a absorção de diversos nutrientes, como o cálcio, que é fundamental para a saúde dos ossos. Água e sucos com gás também não são recomendados, pois, de modo geral, contêm sódio e componentes que prejudicam a digestão. Invista nos chás de ervas, na água com limão e na água de coco.


2 • Carne vermelha: São alimentos acidificantes que podem levar entre 2 e 4 dias para percorrer o trato digestivo. No entanto, a carne vermelha é rica em ferro e vitamina B12, por exemplo, por isso é difícil excluir o item da dieta sem um acompanhamento nutricional. A sugestão dos nutricionistas é restringir o consumo para no máximo duas vezes por semana. Seu aporte de proteínas, nos outros dias, pode ser obtido com o consumo de grãos como a soja, a quinoa e a lentilha, bem como por meio de porções moderadas de frango, peixes e ovos.


3 • Comida “pronta”: A maioria dos produtos industrializados, bem como diversos tipos de comida congelada e lanches servidos em lanchonetes são ricos em sódio, açúcar, corantes e outros aditivos químicos. Esses itens sobrecarregam o trato digestivo e deixam um rastro de acidez no organismo. 


4 • Maior parte dos laticínios: O leite bovino e seus derivados têm caráter acidificante, mas também são ricos em cálcio, por isso não devem ser excluídos totalmente da dieta sem orientação nutricional. Seu consumo precisa ser moderado, e deve-se dar preferência ao leite e queijo de cabra e de ovelha, bem como ao leite de soja ou de amêndoas.


5 • Álcool: Bebidas alcoólicas formam açúcar no intestino e alteram os níveis de glicose no sangue. Isso pode estimular a compulsão, não só pelo próprio álcool, mas também por carboidratos. Além disso, a substância interfere na absorção de diversos nutrientes, comprometendo o aporte recebido por uma alimentação adequada. Se não for possível excluir as bebidas totalmente do cardápio, dê preferência ao vinho tinto, e apenas em ocasiões de celebração.


Fonte: "Coleção Viva Saúde Especial", n°2


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