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Entendendo o equilíbrio hormonal feminino.

21/07/2017 15:50:31

Conhecemos o mantra da base para uma boa saúde: comida integral, exercícios e sono adequado, além de manejar o estresse adequadamente. Todos são elementos do que chamamos “estilo de vida”. Uma das razões está relacionada ao fato de que nossos hormônios trabalham como uma orquestra harmônica. 


O movimento coordenado de produção e distribuição dos hormônios no corpo da mulher depende de uma perfeita sintonia, e não precisa muito para transformar esta sinfonia num caos total. Se o estrogênio ou o cortisol estiverem elevados, a progesterona não pode ser “ouvida”. Cortisol alto ainda bloqueia a produção da própria progesterona e da deidroepiandrosterona (DHEA). Se a pregnenolona estiver baixa, todos os outros hormônios deixam de ser produzidos. 


Outra característica destes hormônios é que são intimamente relacionados, cada um feito de outro na dependência da necessidade do corpo. Por exemplo, da progesterona o corpo pode fazer DHEA, cortisol e estriol; androstenediona pode ser transformada em testosterona e estrona, e a testosterona pode ser feita a partir do estriol, estradiol e androstenediona. 


Veja abaixo (cada seta indica o trabalho de uma enzima):




Esta é apenas uma parte da partitura: uma combinação específica de vitaminas, minerais e enzimas ajuda nesse equilíbrio. É por isso que problemas com a tiroide ou insulina, toxinas, fatores ambientais, alimentação inadequada e um fígado sobrecarregado podem contribuir para a deficiência de nutrientes, como magnésio ou vitamina B6 (piridoxina) e ter consequências devastadoras para a saúde.


Seu estado emocional também desempenha um papel especial nesta sinfonia hormonal. No houver estresse emocional, por exemplo, as adrenais liberam cortisol. Quando o organismo precisa de cortisol, acaba produzindo mais progesterona, além de aumentar a produção de colesterol, matéria-prima de todos os hormônios esteroides. O cortisol ainda compete pelos receptores de progesterona nos osteoblastos, as células que fabricam o tecido ósseo, produzindo mensagens opostas e contribuindo para a osteoporose: a progesterona estimula a produção óssea e o cortisol a bloqueia. A demanda crônica por cortisol acaba por esgotar as adrenais e aparecem os sintomas da fadiga crônica.


A RELAÇÃO ENTRE HORMÔNIOS FEMININOS E MASCULINOS


Como você pôde perceber no esquema ao lado, hormônios masculinos (ou androgênios) são precursores de hormônios femininos. Existem duas fases que marcam a produção hormônios sexuais, a adrenarca, quando a adrenal começa a produzir DHEA e a puberdade, quando, no homem, os testículos começam a produzir testosterona, e na mulher, os ovários começam a produzir estrogênios e progesterona. A produção de DHEA começa ao mesmo tempo, tanto no homem, quanto na mulher. 


Noventa por cento do DHEA circula na forma de S-DHEA que serve como reserva que pode ser convertida facilmente na forma ativa. Níveis elevados de DHEA em idosos estão ligados a maior qualidade e expectativa de vida. 


A mulher produz 10% da quantidade de progesterona produzida pelo homem. Na perimenopausa a produção de testosterona e a metade da produzida aos 20 anos. Mesmo após a menopausa, os ovários continuam produzindo testosterona e androstenediona, que é precursora do DHEA e é transformada em estrógenos quando alcança as células gordurosas. 


Por Dr. Carlos Braghini Jr.


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